Oigalê, dia dos Pais!
Hoje é dia dos pais. Sorte de quem tem seu pai presente. Que estejam todos curtindo esse momento que deve ser apreciado dia após dia. Mas me lembrei bastante do Teixeirinha hoje, meu grande ídolo da música gaúcha, o primeiro que conheci até chegar no César Oliveira e Rogério Melo. Teixeirinha perdeu seus pais cedo, sua mãe com nove anos, mas seu velho com apenas seis.
No filme Coração de Luto (filme produzido em 1966), logo no início, há uma passagem onde o velho Teixeira chega para seu filho com um presente mostrando que, apesar da relação pai e filho naquela época ser truculenta, a figura do pai era muito respeitada e admirada.
- Victor, venha cá…
- Bênção, papai!
- Deus te abençõe, meu filho!
- O que estavas fazendo?
(Então Teixeirinha esconde sua violinha feita com um pedaço de pau e cordas de nylon e abaixa sua cabeça, pois tinha vergonha de gostar da música e medo de ser repreendido pelo pai)
- Nada, papai, brincando…
- Hum.. sei! Mas não acha que está meio crescido para brincar desse jeito?
Então o velho Teixeira volta até o carro de boi e pega um embrulho e diz:

- Acho que vou fazer um negócio contigo: tu me dás este violãozinho sem graça e eu te dou este presente em troca. Assim não te devo nada e tu nada me deves. Está bem?
Teixeirinha novamente abaixa sua cabeça, olha para a violinha e, com pesar, aceita a troca, afinal, o presente era de seu pai e não poderia rejeitá-lo.
Então Victor com uma mão dá o projeto de viola para seu pai e com a outra recebe o embrulho. Ao abrir, ele se depara com um violão de verdade, novinho em folhas, e sai cantarolando e dedilhando as cordas do seu novo instrumento musical.
Teixeirinha sempre foi grato à seu pai e em homenagem à ele escreveu a música Meu Velho Pai. Ele sabia reconhecer a importância que ele tivera, ainda que por pouco tempo em sua vida e que a ausência física não transformara o caráter do cantador do Rio Grande.
Meu Velho Pai
Um par de espora sangrenta
Um mango de couro duro
Um chapéu velho empoeirado
Uma faca do cabo escuro
Um schimitt trinta e oito
Um pala cheio de furo
Uma guaiaca sovada
No mesmo prego seguro
Ao contemplar fico triste
Seu dono já não existe
Só a saudade persiste
Daquele gaúcho puro.
Meu pensamento vagueia
Perdido no infinito
Relembra o dono dos trastes
Que fora seu manuscrito
Quando montava um cavalo
Era sempre favorito
Quer no rodeio ou na doma
Seu trabalho era bonito
Na tropeada era um doutor
Nas domas um domador
Na cordeona um trovador
E na laçada um perito
Assim foi meu velho pai
Como laço de rodilha
Enquanto é novo se espicha
Nos chifres de uma novilha
Depois a morte golpeia
Só fica os trastes da encilha
Pendurados na parede
Recordação pra familia
Ele já não é mais nada
Num túmulo a beira da estrada
Uma cruz velha rodeada
De flores de maçanilha
Oigalê, morte traiçoeira
Que chega como um pealo
Sessenta, setenta anos
Tira um homem do cavalo
Arranca dos filhos e netos
E atira dentro de um valo
Parece um minuano xucro
Que leva as folha do talo
Meu velho pai que saudade
Do seu carinho e bondade
Choro uma barbaridade
Quando no seu nome eu falo.
Parabéns à todos os pais de todas as querências, ausentes e presentes!








Linda a mensagem que fez aos pais!
“Nas marcas de seus passos, fui crescendo meu caminhar…”
É lindo ver um filho, saudar o patriarca!